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Afinal, o que é homofobia?

setembro 11, 2014

No centro dos debates atuais, a homofobia se tornou uma questão chave e ao mesmo tempo uma incógnita na luta pelos direitos civis na atualidade. Contrários a uma lei específica dizem que isso traria privilégios aos homossexuais, quando não afirmam que a homofobia simplesmente não existe. Será que os ativistas exageram e chamam qualquer um que não ama os gays (e inclusive tem muitos amigos) de homofóbico? Seria a homofobia uma invenção de um grupo que quer se tornar superior ao resto da população e de quebra acabar com a família?

A homofobia é o termo que hoje é genericamente usado para classificar o preconceito contra homossexuais, análogo aos termos “racismo” e “machismo”. Não é a melhor escolha de palavra, mas é a única que temos por enquanto e por isso vem sendo desconstruída por quem quer adiar o enfrentamento de problemas graves. O primeiro argumento que usam é que “fobia” quer dizer medo e que eles não têm medo de homossexuais. Porém, da mesma forma que as pessoas que odeiam os estrangeiros raramente tem medo deles, a xenofobia existe, talvez desde que o mundo seja mundo. A fobia, antes de ser interpretada como medo, deveria ser lida como “aversão”. O segundo argumento é que uma pessoa não é homofóbica pois é totalmente contra que se agrida fisicamente ou mate um gay. Sabemos também que nem todo machista agride fisicamente uma mulher, mas a perpetuação de uma cultura machista leva muitos a agredirem, estuprarem e assassinarem mulheres. Dessa forma, não existem o homofóbico, o machista e o racista “bonzinhos”, que não causam mal a ninguém, pois seu comportamento contribui para que outros se sintam no direito de agir com agressão física e verbal contra essas pessoas.

E o homofóbico? Será que existe? Você nunca vai ouvir uma pessoa falar “eu sou homofóbico”. Da mesma forma que você nunca vai ouvir um político corrupto falar “eu sou corrupto”. Mesmo que este último admita num tribunal que cometeu crime de corrupção, ele não vai proferir a frase “eu sou corrupto”. Simplesmente porque é um xingamento, algo que as pessoas não querem atribuído a elas. Hoje, “homofóbico” se tornou um xingamento, algo que ninguém quer ser. Então as pessoas mais homofóbicas do planeta vão dizer que não são homofóbicas, simplesmente porque o termo não lhes cai bem. Seria como alguém dizer “eu sou um canalha”, ou um aproveitador, ou um imbecil. É mais agradável não se pensar um homofóbico.

Como definir, então, a homofobia? Assim como no racismo se pensa que existe alguma outra diferença entre um negro e um branco além da cor de pele, e no machismo que existe alguma diferença entre uma mulher e um homem além do gênero, na homofobia se acredita que existe alguma diferença entre um homossexual e um hétero, além da sexualidade. Alguma diferença pra pior, invariavelmente. A luta pelos direitos civis no século passado, apesar de não ter acabado nem com a existência do racismo e do machismo, como sabemos bem, elevou os grupos representados a uma categoria que oficialmente não pode ser denegrida em público. Em outras épocas foi comum negar às mulheres e aos negros o direito de votar, o de ser livre, entre muitos outros. Hoje em dia isso soa absurdo, mas vivemos numa época em que gays, na maior parte do mundo não podem fazer qualquer tipo de união civil ou casamento e também não podem doar sangue. A homofobia, ou seja, classificar os gays como seres diferentes, de uma categoria inferior, sujos, abomináveis, que deveriam sentir vergonha de ser quem são, se tornou o último preconceito ainda largamente socialmente aceito.

É por isso que vemos a luta constante de pastores para que os homossexuais sejam “demonizados”. São um dos últimos inimigos que sobraram para continuar dando sentido a sua “cruzada contra o mal”, assim como fazem os super heróis e os EUA, que sempre precisam de algum lugar do mundo para bombardear. Não sobrevivem sem um inimigo para antagonizar. Nesse sentido, até que estamos evoluindo bem. Há 50 anos atrás, esses pastores não sentiriam receio algum de declarar abertamente que os homossexuais deveriam ser mortos. Isso é impensável nos dias de hoje. E cada vez mais, visto que a profusão de câmeras e vídeos na internet faz com que tudo de mais bizarro que é dito em templos e igrejas se torne instantaneamente público. Eles é que aos poucos vão tomando vergonha na cara.

A luta contra o preconceito infelizmente passa por esses conceitos mais técnicos do que práticos ou mesmo teóricos. O preconceituoso não quer ser julgado como tal, ao mesmo tempo que não quer que nenhuma lei que proíba ele de continuar exercendo seu preconceito seja aprovada. Enquanto isso não acontece, dois homens e duas mulheres que estão juntos não se amam, apenas “exibem um comportamento homossexual” (inaceitável e que demandaria arrependimento e provável afiliação a uma congregação religiosa). E se você é um desses casais e tem um filho, eles querem dizer que vocês não são uma família. É, no mínimo, cruel. No máximo, desumano.

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