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Um hospício chamado Twitter

maio 1, 2013

Nos últimos dias, o Twitter acompanhou o desenrolar de uma das histórias mais bizarras já descritas pelos 140 caracteres. A tentativa de suicídio de uma moça, por motivos que desconheço, causou primeiro a comoção e, em seguida, uma onda de revolta ao suspeitarem que se tratava de uma encenação. Chamou atenção também a tentativa desesperada da vítima de si mesma, mesmo estando em um estado delicado, de provar para todos que se tratava de uma tentativa de se matar real e que ela estava internada, com direito a atestado médico e tudo mais.

Que a internet “não perdoa”, todo mundo já sabe. A vida online tem a tendência de trazer à tona o pior nas pessoas com muito mais frequência que o melhor. O distanciamento físico e um certo anonimato estão nas origens disso. Enquanto o Facebook se consagrou como um painel de felicidade, onde as pessoas expõem para o mundo com fotos e montagens como suas viagens foram maravilhosas e seus namoros são perfeitos, o Twitter, com suas palavras solitárias, se tornou um antro de reclamações e opiniões corrosivas sobre absolutamente qualquer coisa. Um pequeno hospício onde deprimidos e ansiosos se encontraram e buscam companhia em seus leitos domésticos.

Um reply me chamou atenção para o seguinte: não seria o caso dessa que tentou se matar algo a mais que uma simples depressão? Quem precisa tentar se matar “ao vivo na internet” e depois, debilitada, ainda continua presa à rede se importando com quem acha verídica ou não sua empreitada? Estaríamos falando de uma personalidade histriônica, que precisa chamar atenção a qualquer custo? Nesse caso, não importaria se a tentativa de tirar a própria vida se deu ou não; os resultados (polêmica) são muito semelhantes. Poderia também ser um caso borderline onde a pessoa usa dos recursos de se machucar e ameaçar/tentar se matar para chamar a atenção por medo de ser abandonada e por sentir um vazio (angústia) que só a dor física pode cessar.

Independente do que seja o diagnóstico, que não cabe a leigos, ou o julgamento, que não cabe a seguidores fazerem, ficou claro que mesmo em se tratando de um ambiente onde as doenças psíquicas reinam, quando se trata de um caso um pouco mais grave, as pessoas no Twitter não conseguem nem se identificar, nem amenizar o lado de quem, de qualquer forma, não tem como estar passando bem.

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One Comment leave one →
  1. lordmanshoon permalink
    maio 1, 2013 5:54 pm

    Eu gosto das coisas que você escreve, devia escrever toda hora todo dia.

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