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O pastor, o teatro e os Beatles

abril 8, 2013

Eu não estava querendo fazer nenhum comentário mais longo sobre a nossa nova F. word específica do Brasil, mas o dito cujo resolveu falar do John Lennon e todo mundo sabe que MEXEU COM OS BEATLES, MEXEU COMIGO. Na verdade, o vídeo em que o pastor fala que John Lennon morreu com 3 tiros, um do pai, outro do filho e o terceiro (adivinha) do Espírito Santo foi desenterrado de pregações passadas onde ele, entre outras coisas, também cita a morte dos Mamonas Assassinas. O que me chamou atenção ao assistir, no primeiro momento, foi a imprecisão total dos fatos que o pastor coloca. Ninguém esperava que ele desse uma aula sobre a história da música ou que ele soubesse de detalhes (facilmente encontráveis na Wikipédia) sobre a morte de John Lennon, mas se era para falar na frente de tanta gente, não custava se informar e evitar fazer uma adaptação tão patética do acontecido. A premissa é que John teria morrido por ter falado, em entrevista em 1966, auge da fama dos Beatles, que naquele momento os jovens davam uma importância maior ao grupo que a religiões e a Jesus Cristo, por exemplo, o que de alguma forma demonstrava o quanto ele se assustava com a fama. Essa declaração foi distorcida na época e gerou grande revolta e muitas pilhas de discos dos Beatles queimados nos EUA. Décadas depois, o pastor usa essa mesma fala para dizer que Lennon “se achava mais importante que Jesus”, o que teria ocasionado sua morte por 3 tiros (foram 5 disparados, sendo que 4 acertaram) dentro de seu apartamento (foi na rua, na frente do seu prédio) onde seu corpo teria sido ACHADO (algumas pessoas presenciaram o crime e ele foi encaminhado pro hospital, morrendo no caminho). Do jeito que o pastor fala realmente parece que os tiros vieram do céu, quando na verdade foram disparados por um fã esquizofrênico e obcecado, não “um tempo depois” da frase citada, mas após 14 anos.

 

Além da sequência de erros, me chamou a atenção a paixão com que o pastor profere sua interpretação. Há muito de teatral em sua fala e gestos, com o óbvio intuito de capturar a emoção e devoção daqueles que lá estão. O que me levou a pensar na quantidade de histórias que, como a de John, são alteradas para dar sentido ao discurso sensacionalista, sempre entoado com tom de fúria, julgamento e condenação. Enquanto discutimos sua presença na Comissão de Direitos Humanos, o pente fino no passado do pastor mostra que muitas igrejas precisam encontrar seus “diabos”, que em outras épocas já foram cientistas e bruxas e hoje são os gays. A discussão de leis que dão direitos aos gays como os de qualquer outra pessoa levará a sociedade a pensar neles como iguais, o que esgotará com um dos principais “assuntos” e razões de existir (combater) dessas igrejas. É uma pena que os pastores precisem tanto encontrar um inimigo, mas creio que, como todo drama, isso torna sua história mais interessante e cativa fiéis que acreditam em tudo que é dito por eles. Apenas poderiam se informar um pouco mais antes de falar tantas besteiras.

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One Comment leave one →
  1. Thainá M. permalink
    abril 8, 2013 9:38 pm

    Infelizmente esse é o Deus que eles pintam pra garantir e assegurar fiéis: o que provoca medo e que te repreende com violência, se preciso. Lastimável é pouco.

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