Skip to content

O papel velho

maio 23, 2012

Ontem, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, uma das maiores de São Paulo, reparei nos outros artigos que ocupam espaço entre os livros e só então me toquei que esse tipo de estabelecimento, as grandes livrarias, são um dos poucos lugares onde ainda se vende CD’s. A loja de discos já faliu, por motivos óbvios, e grandes cadeias de varejo como as Americanas só vendem o top 10, deixando pras livrarias a única possibilidade de encontrar fisicamente alguma variedade musical. Nesse local especificamente os CD´s se encontravam totalmente desorganizados, como se conformados com o abandono. Ganhando espaço estão os LP’s, em busca de colecionadores e hipsters que ainda podem estar dispostos a pagar por um objeto circular para extrair música dele. Engraçado pensar que o livro, centenário, pode estar salvando ou pelo menos dando espaço para o CD, uma mídia muito mais nova.

 

No meio das milhares de livros nos três andares da Cultura, um tímido e-book reader, já de geração ultrapassada, despertava a curiosidade de quase ninguém. O mercado de e-books no Brasil ainda nem está engatinhando e a Cultura exibe o artigo mais como algo exótico do que como um presságio apocalíptico sobre o fim do livro de papel. Por aqui as pessoas ainda querem cheirar o livro novo e depois curtir vê-lo empoeirar nas estantes de casa, materializando o conhecimento adquirido. É assustador, ou pelo menos pouco romântico, pensar que todos os três andares daquela livraria caberiam num único e-reader. Além das editoras se apavorarem com a ideia do livro digital fazer com o livro físico o que a mp3 fez com o CD.

 

Nos EUA, a Amazon já vende mais e-books do que livros físicos há algum tempo. A loja em si, antes conhecida como “maior livraria virtual do mundo”, foi esperta o suficiente pra entrar cedo do mercado dos livros digitais (com o Kindle) e de não se apoiar somente nas vendas de livros e discos, estendendo seu mercado para coisas que nunca poderão ser baixadas, como iPads e desentupidores de pia. O americano, que lê muito mais que o brasileiro, já iniciou seu processo de desapego com o papel velho e percebeu que o que realmente importa e fica é o conteúdo, este muito mais facilmente adquirido e armazenado por meios digitais. E as pessoas? O que elas iriam fazer na livraria de três andares se de repente acreditassem que ela caberia inteira na sua bolsa? Sinceramente eu não sei. Talvez tomar um café.

Anúncios
One Comment leave one →
  1. maio 23, 2012 4:27 am

    O futuro dos livros será o mesmo do CDs. Ao menos na minha opinião. É o caminho lógico, baseado-se no histórico entre CDs e o mp3. Tanto o mp3 quanto o e-book compartilham dos mesmos benefícios: praticidade no armazenamento e gerenciamento, facilidade e rapidez de acesso ao conteúdo desejado além do já clichê fator ecologicamente correto. Falo por experiência própria. Desde que adquiri um Kindle, nunca senti falta de um livro em papel. Tudo é muito mais fácil e fluido com um livro digital, especialmente quando se fala em produtos da Amazon. Agora, quando olho pra minha estante cheia de livros empoeirados, que tenho certeza que não vou reler nenhum deles, penso no desperdício de papel, espaço e dinheiro. É nesses 3 pontos que o e-book é imbativel: ele não gasta papel (menos árvores sendo cortadas), não ocupa espaço físico (menos entulhos na casa pegando poeira, menos peso pra carregar na bolsa da faculdade) e o grande diferencial do preço mais barato (já que não tem custos de impressão, encadernação, armazenamento, transporte etc).
    Isso podemos ver claramente, como você mesmo citou, no mercado americano. Onde as pessoas tem o costume de ler mais e em comparação com o Brasil, os produtos como leitores de e-books são bem mais acessíveis para a maioria da população. Coisa que não se ve aqui, onde mesmo o livro de papel, que devia na minha opinião, ser item de cesta básica, do ladinho do arroz e feijão, é considerado artigo de luxo. Porque sinceramente, quem ganha salario minimo não tem condições de ficar comprando livros por 30 ou 40 reais cada. E livro é educação. Educação é o desenvolvimento de um país. Mas o que acontece aqui é apenas a ganancia das editoras ao se agarrarem num modelo de mercado antigo e em declinio, com medo de perder sua bocada ao ter que reduzir seus lucros no processo de popularização do e-book. Espero ansiosamente pela chegada da Amazon ao Brasil. E espero sinceramente que ela seja tão agressiva aqui como ela é nos EUA. Ou as nossas editoras se atualizam ou elas quebram. Quem não pode sair perdendo em nenhum dos cenários é o leitor.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: